Direção
Postado por Olimpio em agosto 6, 2009 | Nenhum Comentário

Eloi Pires Ferreira, parte da Equipe de Fotografia e a câmera, no set de filmagens do Curitiba Zero Grau.
Gente boa de toda parte.
Dirigir filmes, por mais glamouroso e divertido que pareça, é uma empreitada tremenda. Tem de se ter bem mais do que “talento”, para encarar a tarefa. Entre as virtudes de alguém que deseje ser cineasta (principalmente no Brasil), a perseverança deve ser uma das mais presentes. A tenacidade do sonho precisa ultrapassar os limites do tempo e do orçamento, mesmo porque os orçamentos nunca são parâmetro seguro para medir o tamanho do sonho cinematográfico.
Outra característica do bom diretor de cinema é a sua capacidade na conciliação. Não só entre os elementos da equipe técnica e o elenco, duas fontes de energias nem sempre compatíveis, mas também na conciliação das sua própria concepção de como o filme deve ser e o que a realidade permite que ele seja.
Isso porque o produto final FILME jamais acaba sendo um trabalho solitário, monoliticamente gestado, construído e terminado pelo diretor / autor. Até o roteiro, tantas vezes elaborado e reescrito, sofre tantas alterações – até a hora de ser filmado - que é bastante complicado manter um rumo traçado à revelia do desenrolar desse processo. Essa é a grande CONCILIAÇÃO que o bom diretor deve fazer, até para ser fiel à sua concepção original do trabalho.
O Curitiba Zero Grau tem à frente, na direção, um profissional antes de tudo radicalmente apaixonado pelo que faz. Conheço e trabalho com Eloi Pires Ferreira faz quase vinte anos e jamais soube dele que quisesse fazer outra coisa na vida, a não ser cinema. Por mais obsessivo que isso pareça, não posso deixar de enxergar aí uma tradução da palavra vocação. Sentir-se chamado a produzir com essa dedicação, muitas vezes abandonando oportunidades bem mais rendosas e tranquilas, revela um perfil de extremo apego a alguma coisa muito maior do que a fama pessoal.
É por essas e outras que o CWBZG tem tudo para ser um trabalho digno da atenção de muitos, dentro e fora da nossa Curitiba, justamente porque deve ser um retrato da vida urbana em movimento e de ter como personagens figuras tão próximas de nós quanto universais. E mais: por nos ter a todos – do Diretor ao escriba deste blog – buscando realizar o cinema com uma linguagem sem fronteiras.
Abraços macrocósmicos!

